A tristeza bate hoje fundo,
me encosta na parede,
tange o fio da lâmina e leva um pedaço,
Que talvez não faça muita falta,
tantos já se foram, que é difícil me reconhecer no espelho.
Não monto quebra-cabeças, e tudo isso dói.
Triste por você, por mim, por tantos
Hoje estou envolto numa saudade triste da vida que já foi, e daquela que virá
Como se o futuro já fosse passado.
E numa estranha relatividade do tempo me encontro ao mesmo tempo no ínicio e fim do meu ser,
sem saber identificar onde começa um e acaba o outro,
Navego quase invisível no vazio infinito do nada.
Abril 5, 2007
Nada
Abril 4, 2007
Amorfo
Que a minha fúria enfim vença
Quaisquer que sejam as consequencias
Que ela de apodere de mim e
Provoque mudanças
Que ela impunemente vá em frente
Destruindo tudo quanto necessário
Para fazer surgir um ser temporário
Que amorfo , se acomode a todos
Os moldes
Camaleônico para cada momento
Da vida, uma cor esquisita,
Uma dúvida crescente,
Uma estrela errante
Um adjetivo para cada
Cor, assim como somos
Todos os outros.
Massacre
O que sou eu senão a angústia
Interminável, a busca sem fim
De um pouco de paz
Do sossego dos homens de bem
A dor incontrolável, dilacera
A cada momento mais insuportável
Já não sei o que fazer
Já pedi por piedade
Invejo a vida que não vivi
O luar que já não me comove
Odeio o amanhecer tortuoso
O dia levado a cabo
A minha memória
Perdida, confusa, errante
A minha história esquecida
O meu passado massacra.